Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2012

INVERNO




O frio também aquece!
como os beijos trocados
por baixo dos lençóis

aquece a vontade de sentir
os veios de sol enrolados em nós
dando-nos a leve sensação de ser felizes

o frio aquece a tua mão na minha
à força de tanto a acariciar
sentindo-te as veias
como raízes de ti

aquece a esperança de dias mais quentes
e mais promissores
onde sementes de amor
sejam trazidas pelo vento

o frio aquece o desejo de Invernos suaves
nas vidas queixosas pelo desalento
de sermos seres racionais
com tão poucas exigências elevadas.

O mais rigoroso inverno
acaba por se tornar menos agreste
que a mente do ser humano
tão apodrecida pela avareza de elevação

Imagens tiradas da net

Liliana Josué

ENCONTRO




Ela corta as unhas
Com olhar de enfado
maçam-na os pormenores da vida
e as suas consequências

observa as mãos
num cáustico desdém e comenta:
“ Já conheceram melhores dias…”
sente-se despida de compaixão para consigo
pois sabe tratar-se do seu próprio encontro
nas divergências do todo

uma gaivota ouve-se ao longe
num grasnar de despedida
vai procurar outro mar

volta a olhar as mãos
agora mais atenta
e percebe que são suas
fecha-as com força até doerem
e todo o corpo dói em simultâneo

Imagens tiradas da net

Liliana Josué

FIAMA HASSE PAIS BRANDÃO

Fiama Hasse Pais Brandão nasceu em Lisboa a 15 de Agosto de 1938 e faleceu na mesma cidade a 19 de Janeiro de 2007. Até aos dezoito anos residiu numa quinta em Carcavelos onde frequentou o Colégio St. Julian’s School, seguindo depois para a Faculdade de Letras de Lisboa onde estudou Filologia Germânica até ao terceiro ano.

Fazer uma dissertação ligeira sobre esta escritora não é tarefa fácil, pois também não é fácil desvendar os meandros da sua escrita visto as suas directrizes se encontrarem muito viradas para um “aparente” incompreensível muito característico de certos escritores da geração 60/70 , os quais me fascinam particularmente.

Como o poeta António Ramos Rosa disse: “ Fiama Hasse sente a inextricável complexidade do mundo e a sua perplexidade perante ele é permanente, embora não passiva (…), ou Gastão Cruz, um dos seus maridos “(…) A poesia de Fiama Hasse mais não fez do que aprofundar as relações entre a linguagem e o mundo, entre as palavras e a vida, entre as imagens linguísticas e as imagens reais (…), “Letras & Letras, 1992”.

Fiama Hasse Pais Brandão foi poeta, dramaturga, ficcionista e ensaísta. Pertenceu à mesma corrente literária de Luíza Neto Jorge, e tal como ela, revelou-se na Antologia Poesia 61 com catorze poemas intitulados “Metamorfismos”:




Sofia GRAFIA 1

Água significa ave
se
a sílaba é uma pedra álgida
sobre o equilíbrio dos olhos
se
as palavras são densas de sangue
e despem objectos
se
o tamanho deste vento é um triângulo na água
o tamanho da ave é um rio demorado
onde
as mãos derrubam arestas
a palavra principia

TEMA 1

Nenhuma ave é central

Multiplico
teus límpios meteoros
nas esplanadas
e sono
denso ventre com febre túneis
cidade úbere de flancos intermináveis

Sequer uma ave subterrânea

em teus olhos rectilíneos
tuas vidraças com pausas para a morte
tuas mãos demolidas
teu vasto sexo desvendado de alicerces

Nestes poemas verifica-se que a escritora entra num tipo de poesia experimentalista . Alguns estudiosos do seu trabalho como Tacicleide , estudante brasileira do curso de Letras, procuram significados e explicações para questões relacionadas com a decomposição das palavras, à imagem de Fiama. Esta estudante foi buscar a palavra “Título” integrado na obra da escritora, desmembrando-a e dando-lhe características muito curiosas, não podendo eu confirmar se a poeta se identificaria com tal abordagem, no entanto considero-a bastante oportuna . Aqui apresento então esse “esmiuçar” da palavra:
(Ti)(tu)(lo), junção de de três pronomes: (Ti=a ti) (tu=a tu ) (lo=a ele). Dois na segunda pessoa do singular e o último na terceira pessoa do singular..

Outra das várias actividades praticadas por Fiama foi o teatro, trabalhou com o Grupo de Teatro da Faculdade de Letras, estagiou no Teatro Experimental do Porto e frequentou um Seminário na Gulbenkian. Em 1974 foi uma das fundadoras do Grupo Teatro Hoje e escreveu temas teatrais como: Os Chapéus de Chuva, O Testamento, Quem Move as Árvores, e outros.
Como prosadora apresento o título de alguns dos seus livros: O Retrato, Falar sobre o Falado, Movimento Perpétuo.
Integrou várias antologias em Castelhano, Francês, Inglês e Italiano.
Em relação à sua produção poética (a mais referenciada neste trabalho), escreveu várias obras como: Morfismos, Barcas Novas, F de Fiama, Três rostos, e outros.


Curiosos do seu estilo e temática consideram que a poeta passou por duas fases: A primeira iniciou-se com Morfismos continuando com Era, Matéria e o Nome Lírico. Nestes trabalhos tudo é experiência e novidade. Para uma melhor compreensão podemos comparar este estilo literário ao experimentalismo musical de Stravinsky, Belá Bartok, Sergei Prokofiev, radicalizado com os mais recentes Schoenberg, Pierre Schaeffler e John Cage. Estes compositores começaram por misturar sons melodiosos, muitas vezes de raiz clássica, com electrónica e outras técnicas. Considerava-se e ainda hoje se consideram experiências de laboratório. A evolução deste estilo musical chegou aos extremos de registar ruídos de portas, da natureza e da cidade. Com a pintura e a escrita sucedeu o mesmo pois não podemos dissociar as várias formas de arte.

A poética experimentalista da qual Fiama Hasse foi embaixadora não fugiu à regra . O estilo é informal e a palavra é o centro do poema, muitas vezes isolada e sem pontuação. A metáfora é bastante utilizada e ainda abrange, em si, características surrealistas,visto que tal como neles predomina uma camuflada ou ausência de lógica na articulação das imagens, as emoções são reprimidas, o “eu” não pode aparecer e se aparece terá de se diluir no todo do poema.
A escritora deu importância primordial à imagem. Como ela dizia, pode-se pensar por imagens, logo estas são tão verdadeiras como as palavras.
GRAFIA 3

Tempo
digitado para as direcções do vento

A orgia dos gráficos nos prolonga
nossos cabelos cronometrados

Ó virgem com pinheiros nos olhos
morte

O ovário contínuo onde escuto os objectos
e os transmito nos dedos

Sem margem delta boca
ó mulher circular permeável ao vento

Virgem com pinheiros nos olhos
fêmea com nervos e dunas iguais a explosões

Invoco a madeira o limo o tempo
e entre ventos construo teu abdómen fixo

A segunda fase de Fiama já se reveste de poemas completos ,não fragmentados como os da primeira fase. O poema torna-se mais simples, mais comum , de certo estilo prosaico e maior elegância sob o ponto de vista estrutural onde o experimentalismo já se mostra pouco relevante. O “eu” continua a não ser questão central, mas vai surgindo uma forma de poesia com características pessoalizadas sem nunca minimizar a imagem sob o ponto de vista literário.

VERSO VÃO

Onda de sol, verso de ouro,
perífrase vã. Extasiar-me,
antes, por esta fusão,
mistura de brilhos. Ou, ainda
mais íntima, a consciência
extensa como o céu, o corpo de tudo,
semelhança absoluta. Respirar
na quebra da onda. Na água,
uma braçada lenta
até ao limite de mim.

CEIA

Nesta sala vivemos. Todos
no mesmo despojamento
da matéria. Aqui os meus dedos
agarram puras ideias de coisas.
Em volta estão sem luxúria
as figuras.

Esta autora recebeu vários prémios. Eis alguns:
1961 – Prémio Revelação de Teatro (Sociedade Portuguesa de Escritores)
1975 – Poesia, Prémio Casais Monteiro (Sociedade Portuguesa de Escritores)
1986 – Prémio de Poesia (Pen Clube)
1996 – Grande Prémio de Poesia (Associação Portuguesa de Escritores).

Muito mais havia para dizer sobre Fiama Hasse Pais Brandão. Ela é um mundo labiríntico de temas, mas para terminar gostaria de deixar aqui um curto apontamento sobre a forma como ela encara a mulher sob o ponto de vista social, assunto mais trabalhado nas obras Barcas Novas e Nome Lírico.
A sua postura pouco tem a haver com as suas contemporâneas e parceiras em Poesia 61, Maria Teresa Horta e Luíza Neto Jorge. Fiama não valoriza muito o aspecto sexual em relação a todo um conjunto civilizacional e, quanto a mim, até será das três a mais conservadora. Ela põe o homem na guerra e a mulher a defender a sua casa e família, se necessário com o seu instrumento de trabalho e ganha pão como a pá da famosa Padeira de Aljubarrota ou a valentia demonstrada por esta personagem. Considera que há os que são a favor da guerra cuja maior percentagem são os homens, e os que são contra a guerra onde predominam as mulheres, saindo estas da sua fragilidade feminina mas continuando femininas no sentir e no agir. E se me é permitida a opinião, fiquei bastante admirada com esta forma ainda tão tradicionalista e tão pouco enovadora da sua posição em relação à mulher, pouco tendo a meu ver, com a sua forma revolucionária de escrita , mas o importante é apreciar o todo da sua obra como um marco valiosíssimo para a cultura portuguesa.




A MULHER DOBRADA

A mulher
que não canta
entretanto
cantá-la-emos
(...)
Cantemos
por a tolher
o pranto
dobrada
sobre o tampo
que a magoa.



Imagens tiradas da net

Trabalho elaborado por Liliana Josué

Sábado, 29 de Outubro de 2011

ESCUTA




Não me fales de tristezas
mas do beijo
desse sem tempo nem hora
onde as surpresas dos corpos
são a nossa realidade

Fala-me com tuas mãos
a enterrarem-se em mim
na vitalidade do desejo

Não me fales de tristezas
mas do abraço
desse que me levou contigo
até ao fim do mundo
sem cansaço nem enfado
mas na ânsia de eternidade

Fala-me de quando chamas por mim
no momento da tua libertação
e me dás a seiva
essa lava quente apetecida

Fala comigo assim
sem desgostos
como se a vida fosse
o nosso amor
e nada mais

Liliana Josué

VIAGEM




O tempo sempre jovem
Correu duma forma desdenhosa
e ninguém o segurou
nem o pássaro que voou

No furor da viagem
consigo levou
enredos de vidas
promessas
ideias
vontades perdidas

Nem um mastro de navio sobrou
ou tronco de árvore.
O tempo tudo levou na sua mão
lentamente
rapidamente
mas tudo levou

Talvez fique a ilusão
duma eternidade.

Liliana Josué

CASIMIRO CAVACO CORREIA DE BRITO

BREVE ESTUDO SOBRE O ESCRITOR CONTEMPORÂNEO CASIMIRO DE BRITO


Casimiro de Brito é um personagem da nossa literatura quase “inventado” por quem o lê, pois as suas facetas são tantas que nos absorve a imaginação. À medida que penetramos na sua escrita o espanto instala-se em nós (no sentido filosófico da palavra) Muito há para dizer sobre este escritor, visto ele ser um mundo a explorar e um paladino da palavra. Vou tentar sintetizar a sua obra tocando vários aspectos de modo a que fiquemos a conhecê-lo um pouco melhor e revelá-lo a quem não o conhece.

Nasceu em Loulé a 14 de Fevereiro de 1938. É um dos escritores pertencentes ao Movimento Poesia 61 e integrou os cadernos de poesia compilados na Antologia com o mesmo nome. Tirou o curso na Escola Comercial de Faro, e durante 37 anos exerceu a profissão de bancário.
O seu fervor pela escrita não consentiu que “desperdiçasse” tempo em cursos superiores. Escreveu mais de 40 livros, até agora, de vários géneros literários.
Em 1957, mais propriamente aos 18 anos, publicou o seu primeiro livro de poesia intitulado Poemas da Solidão Imperfeita, considerado pelo grande crítico João Gaspar Simões e pelo consagrado vulto da nossa literatura, António Ramos Rosa, um trabalho de excelente qualidade. Este último tornou-se seu amigo, permanecendo essa amizade até aos dias actuais.
Sua adolescência trouxe-lhe o fascínio pela natureza (como o mar e a luz).Contraiu amizades com quem tinha debates intelectuais sobre assuntos Teológicos e sobre a eterna questão da desigualdade entre os homens.
Segundo consta, iniciou-se na escrita quando começou a participar em jogos florais.
Anteriormente, ainda na infância, o avô sentava-se com ele na sua quinta mostrando-lhe e falando-lhe sobre as plantas e os animais como parte integrante da vida. Outras três pessoas foram de capital importância para Casimiro de Brito: o pai que tinha a particularidade de se expressar por frases curtas ou mesmo por provérbios. A mãe era o oposto; falava todo o dia e António Aleixo, frequentador assíduo de sua casa ainda em Loulé, onde dizia as suas quadras. Assim sendo, a influência paterna deu-lhe a capacidade de facilmente descodificar textos e escrever de forma sintetizada. A materna despertou nele precisamente o oposto: facilidade em desenvolver temas escrevendo obras extensas como o romance Pátria Sensível, e finalmente Aleixo que, provavelmente de forma não consciente, o instigou a desenvolver as suas capacidades de escrita.
Aos dez anos ele e a família mudaram-se para Faro com o intuito de Casimiro poder continuar estudar


ANTÓNIO ALEIXO












SOLIDÃO IMPERFEITA (1957) – Noite por Ti Despida

(CASIMIRO DE BRITO)

Adulta é a noite onde cresce
o teu corpo azul. A claridade
que se dá em troca dos meus ombros
cansados. Reflexos
coloridos. Amei
o amor. Amei-te meu amor sobre ervas
orvalhadas. Não eras tu porém
o fim dessa estrada
sem fim. Canto apenas (enquanto álamos
amadurecem) a transcendência, o caminho. A noite
por ti despida. Lume e perfume
do sol. Íntimo rumor do mundo.








Deixo aqui um excerto biográfico do próprio poeta apresentado no Jornal de Letras em 19 de Julho de 2006 , relacionado com a sua infância e juventude, confirmando o que anteriormente escrevi, intitulado - Autobiografia : Entre o Caos e o Canto:

“Foram três as primeiras escutas humanas: o pai, que só falava por frases curtas e provérbios, coisas enigmáticas (havia que decifrar, e isso entrou depois no meu trabalho); a mãe, que palrava dia e noite, desenvolvendo as falas do pai (o que se tornou uma referência de fundo na minha escrita: uma ideia poética pode resumir-se num breve poema ou alargar-se num romance; (…) por fim o convívio com António Aleixo, o poeta popular que todos os dias ia a minha casa, uma casa de comércio, um lugar público, com uma quadra nova onde música e conceito se casavam rigorosamente (…) “.

Em 1957 conheceu António Ramos Rosa e em conjunto publicaram Cadernos do Meio-Dia.


ANTÓNIO RAMOS ROSA




Por essa altura o Governo Salazarista começou a ter problemas com as Províncias Ultramarinas que iniciavam as suas lutas pela independência, vendo-se o Estado obrigado a enviar tropas da Metrópole para lá. Casimiro de Brito desfavorável à sujeição africana em relação a Portugal negou-se a combater fugindo do país, como tantos outros com as mesmas convicções políticas o fizeram, indo para Londres onde viveu até 1968 tendo sido convidado a frequentar o prestigiado Westfield College, mais propriamente no ano de 1958, cruzando-se com um professor de estudos orientais que o iniciou na poesia japonesa a qual o fascinou de tal forma que acabou por fazer ele próprio os seus Haikus os quais são curtos poemas japoneses de três versos, carregados de significado.

Não te canses, mosquito,
voando da luz para a sombra.
Pousa no meu coração

Levo para a montanha
meus rios interiores.
Perdem-se com os ouros.

Mais tarde foi para a Alemanha e a partir daí começou a viajar quase compulsivamente.

Casimiro de Brito identificou-se e integrou-se com os escritores de vanguarda ou experimentalistas e colaborou na Antologia Poesia 61, como já referi.
Noutros trabalhos já falei sobre este género literário, como o de Fiama Hasse e Luiza Neto Jorge, não vou, portanto, alongar-me muito mais na sua explicação. Consistia basicamente na utilização da palavra “colada” ao objecto, semelhante a uma redundância ou, uma espécie de “retorno às origens gráficas” de forma intelectualizada onde a palavra era rainha, tanto em tratamento como em imponência.
O poeta participou neste projecto com CANTO ADOLESCENTE, do qual apresento o poema Da Música.




Da Música

A música derrama-se
no corpo terroso
da palavra. Inclina-se
no mundo em mutação
do poema.

A música traz na bagagem
a memória do sangue; o caminho
do sol: Lume e cume
de palavras polidas.

A música rompe num rio de lava
por si mesmo criado . Lágrima
endurecida
onde cabem o mar
e a morte.

Recebeu variadíssimos prémios dos quais citarei alguns:

1981 – Grande Prémio de Poesia (Associação Portuguesa de Escritores)
1985 – Melhor Obra Completa Estrangeira (Prémio Versilia de Viareggio)
1997 – Prémio Pen Club.

Como viajante do mundo conheceu a paixão e o amor, logo grande parte da sua poesia apresenta-se bastante erotizada, umas vezes de cariz bem carnal ouras mais lirica. Ora vejamos dois excertos do livro - 69 poemas de amor:

Virilha contra virilha
reconstruo o meu corpo
colado ao teu. Choro.
Não estás a meu lado.
Virilha contra nádega
asas de salvação efémera
reconstruo o teu corpo
junto ao meu. Choro.(...)

Adormecer
assim: inclinado
sobre o rio
em repouso.
A mão esquerda
cai em palma
no crânio; a boca
no ombro no aroma da pele; (...)

Para terminar esta pequena homenagem a Casimiro de Brito deixei para o fim o que considero de grande significado. No ano de 2008 foi nomeado Embaixador Mundial da Paz (ONG Zurique – Suíça), sendo agraciado pelo Presidente da República Portuguesa com a Ordem do Infante D. Henrique, e com todo o mérito, pois ele é realmente um homem da PAZ.






JARDINS DE GUERRA – Peço Paz

Peço paz
e o silêncio

A paz dos frutos
e a música
de suas sementes
abertas ao vento

Peço paz
e meus pulsos traçam na chuva
um rosto e um pão

Peço paz
silenciosamente
a paz a madrugada em cada ovo aberto
aos passos leves da morte

A paz peço
a paz apenas
o repouso da luta do barro das mãos
uma língua sensível ao sabor do vinho
a paz clara
a paz quotidiana
dos actos que nos cobrem
de lama e sol

Peço a paz e o
silêncio.

Trabalho feito por Liliana Josué

Sábado, 22 de Outubro de 2011

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