CONTADOR

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

VERDUGOS

Não sei porque ainda tenho
o mundo colado a mim
sítio desolado por intransigências aleatórias
carnes rasgadas por armas incomodas

globo azul de fétidas águas pasmadas
corpos sem formas em fingidos brancos
boiando em medos e carmas previstos
olhos sem lume de esperança
apenas instinto de respiração

dedos estendidos para um céu cinzento
que somente oferece morte

brutos sem nome violam sexos
 bocas, nádegas...   todo o corpo
num porte nojento de porcos poderosos

condição humana?
certamente, pois formos nós que inventamos os deuses

Liliana Josué

(Imagem do pintor Giovani Tiepolo - 1696 / 1770)









quinta-feira, 15 de setembro de 2016

QUERO-TE COMIGO

Assenta a volúpia dos teus beijos
e todo o azul dos olhos,
crivos de desejos
na minha carne branca

esses lábios são uvas vermelhas que se esmagam
em vinho no meu corpo
depois sugado na oura da paixão
suspiro até ao fundo de mim
quero o teu beijo, é urgente
tu voltas louro e belo
tão belo…
meus olhos soçobram nos teus
dementes  de tanto azul
tanto azul…

deixo-te inflamar comigo
num desalinho de cama
quero abrasar-me contigo de novo e sempre
o tempo fica exausto na espera
eu deixo-me ficar

és louro, azul… és belo.

Liliana Josué

HORIZONTES DE POESIA - Grupo de poesia. Oiça todas as terças feiras das 21.30h / 23.30h - horário de Portugal, a rádio deste grupo (RADIO HORIZONTES DA POESIA) Link:http://horizontesdapoesia.listen2myradio.com/ para quem não é participante. 
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terça-feira, 2 de agosto de 2016

CATARINA, CATARINA…

Ó menina Catarina
Deixa a mãe dormir em paz
Que miúda tão traquina
Nem Barby a satisfaz

Quer a sopa,  já não quer
Mas o ovo vai marchando
Grão coma eu se quiser
Bacalhau é do “camandro”

Anda cá ó Catarina
Que a sopa é de Portugal
Com alface pequenina
Beterraba o principal

A tragédia recomeça
Entre esgares e tantos nãos
Por muito que a gente peça
Tudo empurra com as mãos

Puxa o copo bebe nada
Babete sai pelo ar
Esboroa o pão danada
E destina a berrar

Fruta, isso é que era bom
Não quer provar, nem pintada
Põe-se o Panda em alto som
Nem assim come pitada

Mão veloz, cara safada
Em braveira entorna o leite
Quebra garrafa espantada
Na cozinha mar de azeite

Liliana Josué

(Imagem do fotógrafo Bill Gekas a sua filha, inspirado em pinturas famosas)




A CATARINA



Não quero que me aborreçam
Com essas coisas da fala
Mas que melgas, reconheçam.
Tagarela não se cala
Mesmo tudo distorcido
Sei muito bem o que digo

Em lugar de papagaio
Digo  “caiaio”, eu sei
E que muitas vezes caio
Em idioma sem lei.
Também não acerto em médico
Sai-me um “mécano” frenético

Moem-me por não dizer
Mickey em vez do meu “kika”
Já não sei o que fazer…
Gaita, larguem-me a labita.
Menino traduz-se em “nhinho”
E piu-piu o passarinho

Mas chamar o pai e a mãe
Todos gostam de ouvir
Pois eu digo muito bem
Vocês não vão corrigir.
Agora quero brincar

Sem ninguém a atormentar.

(Imagem do fotógrafo Bill Gekas a sua filha, a partir de pinturas famosas)

Liliana Josué

segunda-feira, 30 de maio de 2016


Orpheus: Pintor - Huges Duqueylard 1771/1845

Pintor - Tomasz Rut 1961

Orpheus: Pintor - Benetto Gennari 1570/1610
Pintor: Salvador Dali 1904/1989




POEMA DADECADO A    M.F.
(Elemento do grupo  - Banco de Sons)

Camisa vermelha
sangue gritando no peito
de paixão pela vida
sorriso atrevido na esguelha dos olhos
canção bravia solta no vento
braços erguidos
orgulhosos, torcidos em gesto de entrega
corpo esguio e fremente
no ritmo da música de forte batida
harmonia crescente
mãos leves de ver
sossegadas na suavidade do seu calor
mas, excessivas , frementes cantando
nos Sons de tantos anos
rosto de expressão única
olhando o horizonte de esperança sentida
e amargura contida

não sei por que foste
menos se o quiseste
amigo tão breve

deste o teu cantar
sorriso, alegria
doce melodia
notas pelo ar
que a amizade cria


Liliana Josué

domingo, 22 de maio de 2016




POEMA À AMIZADE

Nossas leves vozes
serão sempre ouvidas
cantam num fio de esperança
pelo melhor que há-de vir
não é crença
nem superstição
mas algo que vibra para além de nós
lembranças velozes
presença do ontem
canção de amanhã
tu cantas a trova do amor esquecido
eu lanço a cantiga de escárnio incontido
mas ambas cantamos
e bem afinadas
em pautas diferentes

somos o passado
presente
futuro
e tudo o que é duro
e doce, encantado…

nossas leves vozes
serão sempre ouvidas
levadas por ventos doutos, velozes
que percebem e divulgam a harmonia
do nosso canto
das nossas vidas
das nossas almas

em coutos de esperança
pálidos laços de nostalgia
e, em sintonia,  nesta força que se cria
acreditamos

nossas leves vozes
serão sempre ouvidas…

(Imagem do pintor  Marc Chagall - 1887/1985)


Liliana Josué