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quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Caminhando pela Vida


Caminhando Pela Vida

Na aparência dum passo decidido
caminha sem saber p'ra onde vai
mas quer continuar (acto incontido)
e dessa sua crença ela não sai
que embora nada seja consistente
a ânsia de vencer está presente.
Cansada abre a porta do seu quarto
olha-se ao espelho do austero roupeiro
tira a blusa soltando o seio farto
descalça as botas num gesto rotineiro
descola a saia da redonda cintura
deixando apenas as meias de cor escura.
Atira a janela, cerra as portadas
desliza na cama, corpo afogueado
solta e cruza as pernas bem torneadas
suas mãos deslizam no acetinado
das meias negras tão exuberantes
e os seios contempla, belos, excitantes.
Lânguida observa seu corpo marfim
na sua indiferença por quem não a vê
é a eterna Mulher sem princípio ou fim
Vénus do amor sem saber porquê
Morfeu a enlaça seu sono guardando
ela se entrega num sorriso brando.
Mulher é assim: No corpo a sensualidade
na alma a bravura sã de lutas renhidas
vencendo o poder desta dualidade
discriminações e raivas escondidas
na hipocrisia dum insano mundo
que não quer olhar um pouco mais fundo.


(dedicado à minha melhor amiga)

Lisboa, 14 de Abril de 2007
Liliana Josué

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