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sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Santa Chapada



A Santa Chapada


Não há santo com mais dias
que o da “Santa Chapada”.
Sorrisos de dentes brancos
ou amarelos
com medo dessa danada.
Sentimos as carnes frias
e o sangue é corrente gelada
os olhos fingem-se brandos
o corpo tenso em simulados
equilíbrios paralelos.

Mas ela vem...
ela vem sempre
a querida “Santa Chapada”:
Vem de alguém, no seu desdem
ou dum outro que (por acaso) é parente
mas não se importa com nada.

Os corpos andam doridos
as almas petrificadas
no medo de uns pelos outros.
Ouvem-se rosnares em ecos perdidos
e ódios encurralados
bem fundo
em nossos Hades pérfidos
que noutros seres não são mundo
mas no Homem é sémen bem fecundo.

A “Santa Chapada” não perdoa
atinge faces à toa
rindo escarninhamente
deste mundo tão doente.
Lisboa, 8 de Dezembro de 2008

Liliana Josué

2 comentários:

Anónimo disse...

Lindo esse texto! Parabéns pela produção. abraços e bom domingo!

Daniel Teixeira disse...

Estranho, pelo menos estranho, o contraste entre a sua prosa e a sua poesia. Enquanto que a prosa, em princípio, se adapta mais à revolta e a poesia ao lirismo mais trabalhado, consigo, e nos poemas e texttos que li, se verifica o contrário deste princípio (que não é universalmente válido, diga-se).

A sua poesia é mais caustíca e mais revolta que a sua prosa...o que não é defeito, esclareço: apenas constato.

Daniel Teixeira