CONTADOR

quinta-feira, 16 de abril de 2009

EQUILÍBRIO


SURREALISMO-EQUILÍBRIO

Uma perna ergue-se
desenhando o sol
um pé sobrevoou o céu
tornando-o cinzento
a perna queria outra perna
para não cair
o pé procurava a perna
no intuito de se lhe juntar.
Faltava outro pé...
estaria com a perna desaparecida?
Era bem possível.
Mas porque precisa um pé duma
perna?
E porque é preciso haver
duas pernas com pés?
O mesmo desvario
se passa com as mãos
e os braços.
A história repete-se:
“Exigimos AUTONOMIA!”
gritam braços, mãos, pernas e pés.
A cabeça desequilibra-se
com tais reinvidicações
o coração bate de entusiasmo
a barriga dava voltas de satisfação
ao apoiar tanta destemperança,
mas justa.
Tudo se desmoronou
tudo se separou.
Braços caídos
mãos contorcidas
pernas pelos ares
pés perdidos no vento
cabeça apavorada
coração oprimido
barriga vazia.

Liliana Josué

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