CONTADOR

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Três Momentos de Natureza Morta


Três Momentos de Natureza Morta

Empregada Doméstica

Maria, moça pequena e pernas roliças
Avança decidida p’lo amplo mercado.
Apalpa maçãs, tomates; escolhe hortaliças
De semblante muito entendido e concentrado.
Sem mais nem porquê surge-lhe a lembrança clara
Do estúpido quadro na casa dos patrões:
Que coisa tão sem graça e mesmo assim tão cara...
Natureza Morta... ali, tudo aos trambolhões!

Um Casal Feliz

Certo casal mudo, quedo e talvez feliz
Coabita numa casa muito arranjadinha.
Ela, à noite, vê Morangos com Anis
Ele, lê o jornal encostado à almofadinha.
Ensonados e cada um no seu pijama
vão p’ro branco quarto. Ela boceja, ele arrota
E adormecem, pois p’ra mais nada serve a cama.
Quadro perfeito duma Natureza Morta.

Futebol na TV

Entram todos muito apressados no café
O grande desafio já tinha começado
Exaltado alguém berra: - Belo pontapé
Até o apresentador grita desgrenhado.
A casca do tremoço o chão do café criva
A cerveja nos copos espumosa exorta.
Imagem ilusória de Natureza Viva
Quadro bem concreto de Natureza Morta.

Poema temático para Antologia da Tertúlia Mensagem - Do Sonho Se Fez a Palavra)


Liliana Josué

Sem comentários: