CONTADOR

segunda-feira, 22 de junho de 2009

GATOS VERDES




GATOS VERDES

Quatro gatos verdes
observavam o seu desventrado quarto.
Gavetas voadoras com línguas de fora;
armários navegando assustados
por ondas de papeis;
leito num furacão
envolto em negras nuvens de pó.

Os gatos... eram gatos?
Sim! Eram gatos! Na certeza da dúvida...
mas tinham cor de papagaios!
Verdes, brilhantes...
talvez fossem... gatos-papagaios!?
Mas não falavam!
Constrangidos
observavam o mundo ressequido
daquele quarto esquizofrénico.
Que ambição dali poderem sair
mas uma despudorada Força contrária
puxava-os e impedia a desejada saída.
A liberdade é só para alguns
ou mesmos nenhuns.

Um dos quatro gatos-papagaios
fixou uma porta abstracta
passou por ela, quis tentar a liberdade.
Os outros três por lá ficaram
no caos das suas vidas
dentro do quarto
sem se atreverem a olhar mais longe.
O gato-papagaio que se soltou
tornou-se azul, brilhante como o céu
e conseguiu cheirar o ar sem mofo.

Seria gato? Seria ave?
Quem o saberia?
Só se comprovaria ser ele lindo.

Do seu futuro
mais ninguém soube.
Será que encontrou a liberdade?
Ou terá morrido na saudade
dos outros três gatos verdes
fechados nas bolorentas paredes?

Liliana Josué



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