CONTADOR

domingo, 23 de agosto de 2009

TERAPIA



Imagens tiradas do site Cibermind de Philip Hallawell

TERAPIA

A poesia é o processo catártico onde cada um desenrola o novelo da sua existência, mesmo sendo apresentada na segunda ou terceira pessoa.
Ela desfruta do papel onde é impressa tudo o que pode, expandindo-se, sentindo nele o seu terapeuta.
As imagens correm soltas na sua fantasia, como seres sem lógica ou constância; espécies estranhas, estrangeiras ou mesmo sombras errantes; populantes, aparentemente exteriores a si. Entranham-se de forma violenta ou adocicada no papel, ficando assim, a poesia a flutuar nesta imaginação real.
Mas o inverso não é menos verdadeiro; todos os seres e coisas que habitam este Universo, notáveis ou notáveis, deslizam para o interior, na despreocupação dos inocentes, surgindo assim a poesia do mundo exterior, que se emaranha no nosso mundo interior.
O papel vai registando todas as emoções na fidelidade do terapeuta. E as sessões não acabam, há sempre outra e mais outra... e não acabam, nunca!
Depois de tanta pesquisa e confissões queremos resultados, afinal estamos a dar-nos a um estranho, na ponta duma caneta, fazendo de boca, e o nosso EU está lá, na eterna impossibilidade da resolução.
O terapeuta está atento e dedicado, captando o nosso subconscientes, na esperança muda de que o gratifiquemos com soluções que nem ele sabe dar.

Liliana Josué

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