CONTADOR

terça-feira, 8 de setembro de 2009

CHOQUE




CHOQUE




(POEMA DE EDITE GIL - UMA GRANDE AMIGA E VERDADEIRA POETA)




Desarticuladamente compadecida
o choque é fatal
mal respiro onde estou
simplesmente perpetuo o verbo jazer
algures numa calçada
progride a decadência
só vejo uma garrafa vulgar
cheia de vazio e sem génio
- demasiado óbvio –
imobilidade assaz da dissolução
tento escalar a falésia
buscando-te
ermitã instalada no ermo, buscando safiras
deformo os gestos
votando perfeição à memória
roupagem solene a que chamo ternura
a que chamo carinho
sacerdote incomparável
Algures no fundo, talvez em rizoma
sucumbo
tal discípulo de ermita


Edite Gil
2009.Ago.28

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