CONTADOR

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

SOPRO DE VIDA



(Imagens tiradas da net)

O conformismo é a negação da cor que a vida possa ter. É a recusa das brisas lilases que o vento transporta em si.
A mente será sempre o elo de ligação entre o ter ou o não ter.
Quando o transe da inércia se apodera da vontade, a mente adoece e no ar rangem portas, trancando em espaços negros todas as ilusões.
Abrir uma janela, sentir o sol e estender-lhe o olhar, pode significar firmeza e felicidade, ou uma imagem viva do inatingível; o impossível querer sem convicção, podendo permanecer-se nessa ausente contemplação eternos segundos ou o escasso tempo duma vida! E o sol vai descendo... descendo... devagarinho... tudo envolvendo num crepúsculo angustiante.
A alma triste esbraceja num escuro desalento. Vão-se embora os pássaros; as flores fecham-se; as árvores severas agitam as cabeleiras; o cão uiva num pressentimento de desgraça; o gato mia num solitário trinado. Tudo se manifesta em uníssona cumplicidade com essa alma cansada.
Assim permanece o ser petrificado, ululando numa aridez de cor; numa aceitação desconcertante. Pântano negro onde a agitação da renovação é desconhecida.
Mirra de frio... encarquilha-se no cinzento da sua existência... talvez morra!
A morte, por certo, não será dolorosa, afinal nela popula vida, quanto mais não seja plantas e vermes, e é espantoso como se tornam eles gordos e elas viçosas. Mas nem invocando este tipo de compensações a desejada paz se manifesta..
Nesta corrente de geladas considerações o maltratado ser estremece. De frio? De medo? De espanto? Se alguém o entender que responda .
A madrugada pode chegar como tapete de veludo, e com ela um matizado de lilases, num vendaval de aromas.
A força interior faz a Primavera.
Um rouxinol poisa macio naquele ser. Canta baixinho, doce , melodioso e finalmente, a pobre alma, acalentada sorri.
Lágrimas de flores caem do céu envolvendo-a num diáfano manto lilás.
Em seu redor tudo é feito de cristal. Tudo se torna límpido; bem claro. E uma
enorme mão, pairando no horizonte, aponta o Universo.
A massa inerte torna-se corpo, querendo, por amor a si, vencer o instante; sair da opressão e aridez. Quer voar em direcção à teimosia e persistência que a fará desabrochar, dia após dia, no mundo da realidade.
A consciência de si, da sua força, do seu valor, finalmente emerge de todo aquele caudal pantanoso, onde quase morrera em sufoco.
Existir é bom, amar é bom... mesmo o que dói é bom. Não pelo prazer da dor, mas pelo que nela se aprende para depois sublimá-la.
Existir, é atingir o equilíbrio entre a tempestade das negras adversidades que afligem qualquer alma e os aromas doces da despreocupação em consciência e verdade.
Existir consiste na louca e saudável teimosia de lutar contra a demência podre da estagnação e corrosão do tempo.
Existir é sermos uma eterna Primavera na renovação constante da procura de mais quimeras.

Liliana Josué

3 comentários:

Anónimo disse...

Estas Primaveras que buscamos têm um valor supremo na vida do dia a dia tirando-nos a cada passo a amargura do somatório dessas Primaveras trocando-a por esperanças que se avolumam no peito arfante a cada sopro de tempo... e assim vamos Liliana, aproveitando deste teu tema e deste teu texto a lição da vida dura e destemperada mas a visão sublime de se alcançar a vontade de viver. Parabém pelo teu optimismo do amanhã no pessimismo vincado neste conto teu que tão bem descreves. Continua esta aventura da escrita que tão bem acolhes. Um abraço Mário

Liliana Josué disse...

Olá Mário

Muito obrigada por um tão suculento e incentivador comentário.
Um grande beijo de agradecimento.

Anónimo disse...

eSTOU CONTIGO. TUDO SE EVOLA E SE ESTREMECE DESTA FORTA. QUE VIVÊNCIA ATROZ DOS QUE NÃO VIVEM VERDADEIRAMENTE. UM ENCANTO. VOLTA SEMPRE. ABRAÇA-TE O TEU AMIGO MÁRIO