CONTADOR

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

SUFOCO




Abro a janela mitigando
a fria luz.
O dia está quase morto
assim como eu.
Oiço sons que não são meus
porque são de outros.
Pela abertura entra vida
muito sofrida.

Abro a janela mitigando
alguma paz.
Esbarro num enorme prédio
a duas cores.
Doi-me um gato abandonado
sempre a miar.
Crispo as mãos, rezo, imploro
e amarga choro.

Abro a janela mitigando
consolação.
Árvores verdes acenam
indiferentes.
Roupa a secar nas cordas
é vida morta.
Ecoam gritos p`lo ar
num trovejar.

Abro a janela mitigando
uma carícia.
O vento sopra danado
e desabrido.
Meu corpo frio estremece
e ardo por dentro.
Sinto uma grande agonia
morreu o dia.

Liliana Josué

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