CONTADOR

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

SEGUNDA LEI DA TERMODINÂMICA DA VIDA

(Poema gentilmente cedido pelo meu amigo poeta e pintor Joaquim Carvalho. Lamento não ter sido possível colocar o quadro que vinha juntamente com o poema mas o sistema informático não permitiu)

Muito Boas Festas!

Que esta reflexão que partilhamos possa, no futuro, ajudar-nos a viver e a conviver melhor uns com os outros nos universos que, por ventura de cada um, o destino nos proporcionar!

Segunda lei da termodinâmica da vida

Num impensado acto de ira,


um vaso voante
vago de tudo
e raso de nada,
sem asas,
a partir-se em mil pedaços
ali de frente,
aumentando a entropia,
no meio de tão calma gente
que desfruta de imponente pôr-do-sol,
que sentido tem?

O curto hiato
entre o arremesso do ainda inteiro vaso
e o escaqueirar-se ao acaso
no meio da ponte
que une as duas metades do humano Ser
── a que é fonte de sublime racionalidade
e a que comporta a besta da banal irracionalidade ──,
por vezes não chega
para dar a perceber que,
da vertigem do impensado acto,
nada restará intacto!
e ordenado!

Iras gigantes
devem evitar-se:
── são como explosões
que engrossam miopias:
impedem visões harmónicas,
escondem, e até matam, sintonias!...

Iras gigantes
potenciam desordem!:
── determinam, sempre, aumentos descontrolados de entropia!

Sem trabalhar fundo a alma,
retornar à calma
─ estado de graça anterior à ira ─,
jamais será viável, espontaneamente!:
── há que meditar e procurar a essência do que somos!,
pois todo o acto impensado é consequente com desarmonias:
── o universo torna-se menos organizado
e o bem, que a energia útil é, advém cada vez mais escasso!

Joaquim Carvalho,
Paço de Arcos, 13 de Dezembro de 2009

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