CONTADOR

quarta-feira, 3 de março de 2010

UM CHEIRINHO A PICHELEIRA




A coruja fêmea esgueirou os olhos do lenço preto
espreitando os bolos na vitrina
suculentos, apetitosos
e gritou: - Quero aquele!
O macho de papo empinado e piar grosso
em gestos aparatosos respondeu: - Vai-te a ele!
Para mim, menina Aline
saia um salgado bem regado
do tinto que tem para aí
mas daquele que vocês bebem,
bem encorpado.
Não se amofine…
nós sabemos que é assim.
Ó mulher, olha o cachopo
a limpar as mãos a mim!...
- Anda cá meu desgraçado
que te ponho todo negro.
Ainda ontem tratei do fato…
estava um brinquinho, todo limpinho!!!
Ai malandro, se te ponho as mãos em cima
ainda te mato!
- Deixa o moço e come o bolo.
E tu rapaz, não queres nada??
- Não viste que ele ainda agora comeu,
homem dum raio.
Dobra a língua mulher dum diabo
senão, quem te derreia sou eu!

A coruja fêmea calou-se
de olhos ameaçadores
mas encolhida, não fosse
o macho tresloucar com os vapores.

Liliana Josué

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