CONTADOR

segunda-feira, 10 de maio de 2010

GLOSA AO POEMA "O OUTRO"DE MÁRIO DE SÁ CARNEIRO



MOTE – MÁRIO DE SÁ – CARNEIRO
Eu não sou eu nem sou o outro,
Sou qualquer coisa de intermédio:
Pilar de ponte de tédio
Que vai de mim para o Outro

(Temático APP)

GLOSA
Acordei no canto dum pássaro
em seu voar
reforçando a monotonia de mais um dia
que se estava a iniciar.
Bocejei olhando o espelho, espantado
e constatei ser um estrangeiro
no meu quarto e noutro corpo
balbuciando consternado:
Eu não sou eu nem o outro,

Talvez seja todo o mundo
num só Ser
ou ninguém… buraco negro, estéril, fundo…
neste existir ensombrado de mistério;
Sou qualquer coisa de intermédio:

Talvez físico ou sentimento:
fogo, terra, ar, água
ou: ódio, amor, felicidade, sofrimento;
definidamente indefinido.
Serei grande, estreito, médio…
nada me é permitido
talvez e apenas
Pilar da ponte de tédio

Suportando um horror de penas
por não saber quem eu sou:
oiço o pássaro a cantar
num mortiço bocejar
no espelho deste confronto
Que vai de mim para o Outro

Liliana Josué

2 comentários:

Marcelino disse...

Sá Carneiro iria gostar de ler esse texto, bem escrito, bem urdido, concatenado, coerente. Eu gostei e o outro também iria gostar.

Liliana Josué disse...

Olá Marcelino

Agradeço mais uma vez o seu simpático comentário.
Um abraço.