CONTADOR

segunda-feira, 19 de julho de 2010

DISTÚRBIO




Ondas gigantes de cor cinzenta
pássaros brancos grasnando agonias
espumas saltando para o céu
peixes sem ar no excesso de água poluída
areias secas e sujas de naftas
clarins tocando o apocalipse
em mãos sapudas de brancos anjos gordinhos.

O horizonte é uma linha em distúrbio
ziguezagueando à nossa volta
assentando depois aos pés do Universo
em falsas sinfonias
como aftas corroendo bocas mudas e sofridas
fumegando em formas de elipses.

A tempestade do mundo em desarranjos
são distúrbios, desequilíbrios daninhos
de nossas almas marejadas de podres ondas
cujo cheiros envenenados
se entranham em nós como sondas
infectando nosso interior cansado.
LilianaJosué

4 comentários:

Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz disse...

A ligação essencial entre Ser Humano e Natureza, nos dias atuais, é quase relegada ao esquecimento, subjugada por interesses particulares. Poucos percebem que o desequilíbrio de um provoca o do outro... Poema relevante. Parabéns!

Liliana Josué disse...

Olá Sílvia Mota
Muito me honrou o seu comentário.
As suas palavras estão cheias de verdade.
Obrigada.

Sandrio cândido. disse...

Belas imagens e já disse um mordenista brasileiro que a poesia é feita por imagens transformadas em palavras.

Liliana Josué disse...

Obrigada Sandrio.
O seu comentário está correctíssimo e de muito bom gosto.
Cumprimentos