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sábado, 27 de novembro de 2010

GIL VICENTE



PEQUENOS TEXTOS SOBRE GRANDES ESCRITORES

GIL VICENTE

Provavelmente nascido em 1465 e falecido em 1536 não se sabe ao certo onde, pois os nascimentos desta época não eram devidamente registados excepto a alta burguesia ou a nobreza. Existem várias hipóteses como: Barcelos, Guimarães e Beiras.

Em relação a Barcelos e Guimarães é pouco provável pois nas suas obras não se encontram referências a estas cidades, em compensação da região das Beiras nota-se forte presença de elementos locais como falas e costumes, os quais não seriam fáceis de conhecer pelo autor se ele não tivesse andado por lá.

Uma outra questão que espicaça a curiosidade dos estudiosos está relacionada com a sua profissão. Há quem veja nele um possível ourives porque, segundo eles, Gil Vicente utilizou na sua escrita termos técnicos desta arte, chegaram a atribuir-lhe a confecção da Custódia de Belém feita para o Mosteiro dos Jerónimos em 1506(uma jóia lindíssima) feita com o primeiro ouro chegado de Moçambique, e pela forma como expunha os seus trabalhos literários sem ser penalizado pela Inquisição chegando a escrever uma carta ao rei D. João III em defesa dos cristãos novos. Toda esta argumentação é deitada por terra ao constatar-se a vida pouco faustosa que fazia. Também puseram a hipótese de ter sido alfaiate. Estas conjecturas são rebatidas pelo facto de naquela época o nome Gil ser muito comum e Vicente por ser designado como santo padroeiro de Lisboa.

Antes de Gil Vicente já se fazia teatro em Portugal. Cronistas como Fernão Lopes, Zurara e Garcia Resende falavam em representações. O Arcebispo de Braga Dom Frei Telo, afirmou que em 1281, por ocasião de certas comemorações religiosas se fizeram representações das mesmas. Mais tarde, no reinado de D. João I, D. Afonso V e D. João II também se fez teatro. Consta que o próprio rei D João II participou em espetáculos representando papeis de como o de Cavaleiro Cisne já com cenário de ondas de pano, barcos, trombetas, artilharia, música e personagens vestidas a rigor espantando toda a corte. Alguns nomes desses dramaturgos foram: Bernardim Ribeiro, Cristóvão Falcão e Sá de Miranda.

Provavelmente Gil Vicente presenciou algumas destas representações, mas foi ele que valorizou e deu a verdadeira dimensão ao teatro português da sua época

Em relação à sua vida particular está comprovado o seu casamento com Branca Bezerra de quem teve dois filhos: Gaspar e Belchior. Enviuvou e tornou a casar com Melícia Rodrigues do qual resultou o nascimento de Luís Vicente e Paula Vicente, estes últimos compiladores das obras de seu pai.

Para além de ter sido poeta é considerado o primeiro grande dramaturgo português

Gil Vicente marcou a passagem do período Medieval para o Renascentista. Como as suas obras foram escritas nessa transição é dado como o primeiro grande dramaturgo renascentista português, chegou a escrever peças em castelhano.

Na sua obra já se detectam fortes tendências para subverter os valores sociais podemos ridicularizando personagens e situações. O que acabo de dizer pode ser constatado no excerto do Auto da Feira:
MERCÚRIO

Pera que me conheçais,
e entendais meus partidos,
todos quantos aqui estais
afinai bem os sentidos,
mais que nunca, muito mais.
Eu sou estrela do céu,
e depois vos direi qual,
e quem me cá descendeu
e a quê, e todo o al
que me a mi aconteceu.

E porque a astronomia
anda agora mui maneira,
mal sabida e lisonjeira,
eu, à honra deste dia,
vos direi a verdadeira.
Muitos presumem saber
as operações dos céus,
e que morte hão-de morrer,
e o que há-de acontecer
aos anjos e a Deus,

e ao mundo e ao diabo.
E que o sabem têm por fé;
e eles todos em cabo
terão um cão polo rabo,
e não sabem cujo é.
E cada um sabe o que monta
nas estrelas que olhou;
e ao moço que mandou,
não lhe sabe tomar conta
d' um vintém que lh' entregou.

Trabalho elaborado por Liliana Josué

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