CONTADOR

sábado, 27 de novembro de 2010

REI D. DINIS




PEQUENOS TEXTOS SOBRE GRANDES ESCRITORES

TROVADORISMO

CANTIGAS DE AMIGO – D.DINIS

O trovadorismo abarca quatro estilos de poesia: Cantigas de Amor, Cantigas de Amigo, Cantigas de Escárnio e Maldizer, estas ultimas muitas vezes integradas num estilo só.

Quem eram os trovadores? Apenas os nobres que faziam as suas cantigas ou trovas. Os vilões, homens de condição plebeia eram chamados jograis pois eram profissionais enquanto que os nobres não.

Vou apenas falar das Cantigas de Amigo pela simples razão de que são as que nasceram na Península Ibérica, cultura Galaico-portuguesa.

A mais antiga que se conhece ronda o ano 1200, composta por João Soares de Paiva intitulado ORA FAZ HOST' O SENHOR NAVARRA, e foi a partir dela que se considerou o início da Lírica galego-portuguesa

O nosso maior trovador foi o rei D. Dinis, nasceu no ano de 1260 e foi acalmado rei em 1279 até 1325 .Pertenceu à nossa primeira dinastia . Foi um soberano extremamente culto e de grande inteligência para governar o reino. A ele se deveu a oficialização da língua portuguesa em detrimento do Latim e a Magna Carta correspondente ao primeiro estatuto dado à Universidade. A Corte deste rei foi considerada um dos principais centros literários.

Como já referenciei ele era um trovador por excelência e compôs várias Cantigas de Amigo.

Então o que é uma Cantiga e Amigo?
É uma canção simples , de origem popular (ao contrário das Cantigas de Amor, de características palacianas e nascidas na Provença) onde primitivamente imperava a oralidade com paralelismo e refrão, ou seja: dois versos e o refrão sucessivamente para que melhor fosse memorizada.

Vós, que vos en vossos cantares meu
amigo chamades, creede ben
que non dou eu por tal enfinta ren,
e po aquesto, senhor, vos mand' eu
que, ben quanto quiserdes des aqui
fazer, façades enfinta de mi.

Ca demo lev' essa ren que eu der
por enfinta fazer o mentiral
de min, ca me non monta bem nen mal,
e por aquesto vos mand' eu, senher,
que, ben quanto quiserdes des aqui
fazer, façades enfinta de mi.


Ca mi non tolh' a mi ren, nen mi dá
de s' enfinger de mi mui sen razon
ao que eu nunca fiz se mal non,
e poren, senhor, vos mand' ora já
que, ben quanto quiserdes des aqui
fazer, façades enfinta de mi.

[E] estade com' estades de mi
e enfingede-vos ben des aqui.

Percebe-se que a principal personagem é a mulher, mas o autor era sempre um homem que cantava na voz da mulher o seu amor pelo amigo sempre ausente, mas de forma indirecta.

Tipo de amor – Platónico pois a religião estava muito presente, logo estas manifestações tinham de ser carregadas de espiritualidade

Confidentes: Amigas, irmãs, a natureza.

Censura: Normalmente a mãe que por vezes também podia ser sua confidente

Deixo aqui a famosa Cantiga de Amigo de D. Dinis AI FLORES, AI FLORES DO VERDE PINO.

Ai flores, ai flores do verde pino,
Se sabêdes novas do meu amigo!
Ai Deus, e u é?


Ai flores, ai flores do verde ramo,
Se sabêdes novas do meu amado!
Ai Deus, e u é?

Se sabêdes novas do meu amigo,
Aquele que mentiu do que pôs comigo!
Ai Deus, e u é?

Se sabêdes novas do meu amado,
Aquele que mentiu do que me há jurado!
Ai Deus, e u é?

- Vós me preguntades pelo voss’ amigo?
E eu bem vos digo que é san’, e vivo.
Ai Deus, e u é?

Vós me preguntades pelo voss’ amado?
E eu bem vos digo que é vivo e sano.
Ai Deus, e u é?


E eu bem vos digo que é san’, e vivo.
E será vosc’ ant’ o prazo saído.
Ai Deus, e u é?

E eu bem vos digo que é viv’ e sano
E será vosc’ ant’ o prazo passado..
Ai Deus, e u é?

Trabalho elaborado por Liliana Josué

2 comentários:

Marcelino disse...

Recordei minhas aulas de Literatura Portuguesa I na Faculdade de Letras, gosto muito dos Trovadores, de obsevar o galego-português, pensar nas origens da nossa língua.

Liliana Josué disse...

Ora viva Marcelino

Mais uma vez obrigada pelo seu interesse no meu blog.

A ideia é mesmo essa, divulgar os escritores portugueses antigos.

Abraço