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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

SIMBOLISMO / CAMILO PESSANHA








SIMBOLISMO / CAMILO PESSANHA

Não é possível demarcar um momento exacto para a entrada de qualquer período literário mas convenciona-se normalmente uma data por qualquer circunstância relevante.

Hoje vou fazer uma breve apresentação do SIMBOLISMO, mais precisamente CAMILO PESSANHA.

Considera-se a entrada, em Portugal, do período Simbolista com D. JOÃO DE CASTRO e a sua obra ALMA POSTUMA, publicada em 1861 na Revista Portugal, e EUGENIO DE CASTRO, depois da sua chegada do estrangeiro, com OARISTOS, publicado em 1890 e HORAS em 1891, depois de ter chegado do estrangeiro . Há ainda a referenciar que este estilo esteve muito ligado ao período histórico em que se deu, tal como qualquer outro. Assim, O Ultimato imposto pelos ingleses (que agora não desenvolverei aqui) e a vivência da Guerra marcou a Literatura desta época (a primeira) e cerca de cinquenta anos depois a Segunda Guerra Mundial com a Nazificação da Europa, embora posteriores aos primeiros simbolistas portugueses, pois este espírito de amargura e falta de crença levou a que os escritores se refugiassem numa escrita muito própria, derivando, mais tarde, para o SAUDOSISMO e o FUTURISMO.

Os escritores simbolistas vão dar grande importância à nova CESURA do poema alexandrino, quer isto dizer: a pausa que faziam no fim da primeira parte do verso alexandrino, assim como os acentos fixos no mesmo, portanto a musicalidade é fundamental.

Vão utilizar também o verso livre, prosa ritmica e retomam certos estilos caídos em desuso, como se verificou no poema lido anteriormente. Pretendem sobretudo tornar-se inéditos através da exuberância das imagens, vocabulário erudito e esoterismo, autoproclamam-se NEFELISTAS ou VIANDANTES DAS NUVENS, pois fazem questão de escrever PARA OS RAROS.

A sua escrita é em geral muito pessimista (em grande arte pelo que disse anteriormente – vivências de Guerra e Ultimato Inglês) a qual se tornou objecto de de escárnio do público. Como se verifica estão integrados na sua época mas ao mesmo distanciam-se com o seu estilo, como sempre avançado para o tempo em que se encontravam.

Esta corrente literária empenhou-se na difícil tarefa de combater a CRUEZA dos REALISTAS assim como a IMPROVISAÇÃO INSPIRADA dos ROMÂNTICOS. Quanto a eles a arte valia pela arte, o que deveria prevalecer era a ESTÉTICA.

Passo então a falar um pouco sobre o que foi considerado o expoente máximo do SIMBOLLISMO em Portugal:CAMILO PESSANHA

Nasceu em Coimbra em 1867 e faleceu em Macau no ano de 1926.

Viveu muitos anos em Macau onde exerceu a profissão de professor de Filosofia e mais tarde conservador do Registo Civil.

Passou para o papel poucos poemas seus, esboçava-os e decorava-os declamando-os em circulos de amigos, por este facto tornou-se difícil dar uma ordem cronológicas aos poemas, a maior parte deles foram foram passados por amigos ou estudiosos dilectos a este poeta.

Em 1920 foi editado o seu principal livro intitulado CLEPSIDRA

O próprio nome deste livro é simbólico. Na Antiga Grécia era um instrumento de medição do tempo concedido para uso da palavra aos oradores.

A terminação HIDRA significa ÁGUA. Esta terminação, por sua vez, também designa um monstro marinho , uma serpente com muitas cabeças. Assim sendo, CLEPSIDRA significa:

1 – A existência do homem no tempo

2 – A frágil condição do homem e do seu conhecimento sujeitos ao tempo devorador.

Então vou ler um poema deste mesmo livro, sem título, mas representativo do estilo de escrita deste poeta e em simultâneo da corrente SIMBOLISTA , muito impregnada de palavras quase inacessíveis a uma pessoa comum.

Como se constata este estilo de poesia pretende dar novas regras, com formas evoluídas nesta mesma arte.

Confirmamos que os principais ingredientes ou regras SIMBOLISTASS são:

1- Busca do EU na profundidade do inconsciente, atingido apena através da intuição

2 – Procura do inesprimível (sonhos, devaneios, alucinações, paraísos artificiais)

3 – Utilização de sinestesias ( Unidade entre as sensações que se interpenetram e evocam entre si, ou figura de estilo onde se encontra fusão de percepções) Ex: Da luz do bem doce clarão irreal – Camilo Pessanha

4 – O poeta é um decifrador de simbolos e um vidente

5 – Busca de linguagem nova, rica de imagens, metáforas, musicalidade, vocábulos raros

6 – Utilização da cor, principalmente o branco

7 – A arte pala arte

Trabalho elaborado por Liliana Josué

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