CONTADOR

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

A TARDE






Livros, bonecos, gatos
flutuam na sombra do quarto
que a fuga do calor traiu.
Silêncios mascarados de paz
tornam-se actos de vida.
o sol fugiu na rota de outros mundos
e o quarto jaz na penumbra
ferida por suspiros
o acto de querer esvai-se na tarde.
O corpo enrola-se no branco da parede
(não da janela)
porque a essa também falta cor.
A picada viperina da solidão
abala o silêncio.
A noite cai
e ela atrai o medo.

Liliana Josué

2 comentários:

Marcelino disse...

Que bela imagem inventaste para a dor da solidão: uma picada, a picada de uma víbora, que traz a dor e a morte, que fere e envenena. Muito bonito, Liliana.

Liliana Josué disse...

Olá Marcelino
Muito obrigada pelo seu sempre bem vindo comentário.

Abraço amigo.
Liliana