CONTADOR

sábado, 22 de março de 2014

PRIMAVERA - TRILOGIA

(1)

Verde, muito verde, tanto verde...
e a vontade de viver torna-se sede
porque nasceu a minha Primavera
e a esperança em mim se enrola como hera
num hino tocado por trompetas
revelando o mundo em novas facetas.

Azul, muito azul, tanto azul...
num esvoaçar macio de brando tule
lá pelos céus. Respiração Divina
que no Seu sopro tudo marca e assina
gotejar de crenças num amanhã
renovação do Ser em esperança sã.

Rosa, muito rosa, tanto rosa...
é poema cantado ou mesmo prosa
que a Primavera traz no seu regaço
num esvoaçar de pomba pelo espaço
estimulando a fecundação do mundo
no seu grávido sopro tão profundo.

Branco, muito branco, tanto branco...
proposta dum Universo são e franco
nas por aí espalhadas brancas flores...
(aglutinação de todas as cores).
Perfume etéreo em almas doloridas
esperança de cor no incolor de vidas.

(2)

Uma haste morna balança na brisa
suave, duma Primavera a nascer
o forte verde tinge nossos olhos
de esperança.
Há rubras papoilas a florescer
no contraste do tapete
cama fofa ondulando em macios folhos.
O sol embala o entardecer
numa ternura de pai.
Os mal-me-queres saltitam
felizes, numa mistura de cores
e a alegria sai
nas asas das borboletas
voando sem hora marcada
e descansando nas pétalas das flores.
As rosas espreguiçam-se
como meninas traquinas
rivalizando os tons dos pássaros.
Odores misturam-se e cativam-se
a vida transforma-se
O Mistério renova-se.

(3)

Não vou deixar que me tirem
a Primavera
só por não quererem ter o seu mundo
junto do meu.
O cheiro do alecrim
está aqui
perto de mim.
O azul banha meu corpo
a toalha verde seca-me
e dá calor.
Não há amor
ou
desamor
que me roube
as flores rosadas e pequeninas
das árvores
renovadas
nem o pássaro
poisado
no meu cabelo.
Sou pólen de felicidade
que se espalha em correria
poesia sem saudade
nova página florida.

Liliana Josué


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