CONTADOR

sábado, 22 de março de 2014

QUIS





Quis fazer um poema alegre para te dar
mas o eco das memórias
agarrou-me o peito
como febre delirante
dum tempo de esgar doente

Quis oferecer-te o puro branco do esquecimento
mas a aranha preta do pensamento reapareceu
e os dias cinzentos voltaram
como sombras rastejantes
roubando aquele momento
em que o sol brilhava tanto

Quis que voasses feliz
na tenra idade e em adulto
tal mérito não consegui
porque a infeliz sombra doentia
barrou meu caminho até junto de ti

Mas, queres vir comigo agora mesmo
num constante e doce abraço
olhar os pássaros, as flores, o mundo
e ambos de mãos dadas, renascidos
vivamos esse instante eternamente.


 Liliana Josué

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