CONTADOR

domingo, 2 de agosto de 2015

A NAIFA



Na viela escura
passam cães com fome
de  olhar triste, resignado.
Gatos de fibra dura
revoltados
saltam muros
roubam o que podem
todos têm fome

Um homem
num banco sentado
de olhar duvidoso
e ar disfarçado
acaricia a navalha
guardada no bolso.
Não esconde a ninguém
seu ar de canalha
seu mundo é aquele
jamais foi alguém.

O tempo é de míngua
a revolta abunda
os pobres cães choram
os gatos assanham-se
sem força que os dome.

O homem levanta-se
mistura-se com o mundo.
Avança um cordão
em pescoço incauto
e provocador.
A navalha salta
num brilho pecador
o pescoço assalta
rebenta o cordão.

O homem esvai-se
entre a multidão
p'ra a candonga vai

num passo gingão.

Liliana Josué

3 comentários:

Marcelino disse...

Excelente texto, com temática social muito bem tecida em seus versos.

Liliana Josué disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Liliana Josué disse...

Obrigada Marcelino, sempre atento às minhas publicações, isso sensibiliza-me muito.