CONTADOR

terça-feira, 2 de agosto de 2016

A CATARINA



Não quero que me aborreçam
Com essas coisas da fala
Mas que melgas, reconheçam.
Tagarela não se cala
Mesmo tudo distorcido
Sei muito bem o que digo

Em lugar de papagaio
Digo  “caiaio”, eu sei
E que muitas vezes caio
Em idioma sem lei.
Também não acerto em médico
Sai-me um “mécano” frenético

Moem-me por não dizer
Mickey em vez do meu “kika”
Já não sei o que fazer…
Gaita, larguem-me a labita.
Menino traduz-se em “nhinho”
E piu-piu o passarinho

Mas chamar o pai e a mãe
Todos gostam de ouvir
Pois eu digo muito bem
Vocês não vão corrigir.
Agora quero brincar

Sem ninguém a atormentar.

(Imagem do fotógrafo Bill Gekas a sua filha, a partir de pinturas famosas)

Liliana Josué

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